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CPTu (Piezocone): detalhes técnicos do ensaio

O CPTu crava um cone instrumentado no solo a velocidade constante e registra, de forma contínua, resistência de ponta, atrito lateral e poropressão, definindo o perfil estratigráfico quase em tempo real.

Norma ISO-22.476-1Cravação 2 cm/sCanais qc · fs · u2
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Visão geral

O que o CPTu mede

O CPTu (piezocone) é o ensaio de campo que crava um cone instrumentado no solo a velocidade constante, registrando de forma contínua a resistência de ponta, o atrito lateral e a poropressão gerada durante a penetração. A combinação desses três canais permite definir o perfil estratigráfico quase em tempo real e estimar parâmetros de resistência e deformabilidade por correlação, sem a necessidade de retirada e ensaio de amostras.

Como o ensaio é executado

Cravação a velocidade constante

O CPTu evoluiu do CPT (Cone Penetration Test), desenvolvido na Holanda na década de 1940, com a incorporação de sensores eletrônicos e de um transdutor de poropressão. No Brasil o ensaio é praticado desde os anos 1950 e teve grande difusão na construção civil e na mineração nas últimas décadas.

A execução consiste na cravação de um cone instrumentado no solo a velocidade constante de 2 cm/s, feita por perfuratrizes hidráulicas auto-ancoradas que fornecem a reação necessária. Durante toda a penetração, o sistema registra leituras a cada centímetro, produzindo um perfil praticamente contínuo do subsolo.

Aquisição de dados do CPTu em campo, em tempo real.
Aquisição de dados do CPTu em campo, em tempo real.
Parâmetros medidos e ponteira

Três canais e a ponteira

São três os canais medidos diretamente: qc, a resistência de ponta; fs, a resistência ao atrito lateral na luva; e u2, a poropressão captada por um sensor posicionado imediatamente atrás da parte cônica. As posições u1 (na ponta) e u3 (atrás da luva) existem, porém são pouco usuais.

A ponteira é usualmente dimensionada com 10 cm² ou 15 cm² de área de ponta, medidas regulamentadas por norma. Os sensores admitem diferentes faixas de sensibilidade: configurações para pressões menores oferecem maior precisão em leituras baixas, mas podem sair de faixa em solos resistentes, enquanto configurações para pressões maiores preservam a leitura em solos resistentes ao custo de precisão em solos moles.

qcResistência de ponta do cone
fsResistência ao atrito lateral na luva
u2Poropressão medida atrás da parte cônica
PonteiraCone de 10 cm² ou 15 cm² de área de ponta
Poropressão e dissipação

O ensaio de dissipação

O comportamento da poropressão depende da permeabilidade da camada. Em solos arenosos e permeáveis, a água é expulsa quase instantaneamente e a cravação gera pouca ou nenhuma sobre-pressão. Em solos argilosos, de baixa permeabilidade, a penetração pode gerar sobre-pressões elevadas cuja dissipação completa leva horas.

Aproveitando esse fenômeno, o ensaio de dissipação estaciona a ponteira em uma profundidade específica e acompanha a queda do excesso de poropressão ao longo do tempo. Para estimar a permeabilidade, aguarda-se a dissipação de 50% da sobre-pressão e calcula-se o coeficiente de adensamento horizontal (Ch). O procedimento também apoia a avaliação do nível hidrostático.

O sensor u2 é um transdutor de poropressão protegido por elemento poroso, de material plástico, metálico ou cerâmico. Antes do ensaio, esse elemento é saturado a vácuo por ao menos 24 horas em líquido viscoso, como glicerina ou silicone, para eliminar bolhas de ar que comprometeriam a leitura. Em configurações menos usuais, o sensor pode ocupar as posições u1 (na ponta do cone) ou u3 (atrás da luva de atrito).

Para estimar o nível hidrostático, realizam-se ensaios de dissipação em camadas mais permeáveis e arenosas, em que a dissipação completa é rápida. Cada ensaio fornece um ponto de pressão; com alguns pontos, traça-se a reta da pressão hidrostática do terreno.

Resultados

Gráficos e parâmetros interpretados

Os resultados são apresentados em gráficos que reúnem os valores brutos dos sensores (qc, fs e u2) em função da profundidade, acompanhados dos parâmetros geotécnicos interpretados por correlações consagradas. Esse conjunto permite classificar o comportamento das camadas e fornecer subsídios diretos para projetos de fundações, contenções e obras de terra.

Origem do método

Breve histórico

O ensaio CPTu deriva do ensaio de penetração de cone (CPT, Cone Penetration Test), desenvolvido na Holanda na década de 1940. Com a evolução do método, sensores eletrônicos foram incorporados à ponteira, incluindo o transdutor de poropressão (u), consolidando o ensaio CPTu.

No Brasil, os ensaios CPT são realizados desde a década de 1950, e o CPTu tornou-se amplamente utilizado nas últimas décadas nas indústrias da construção civil e da mineração. A interpretação do comportamento granulométrico segue correlações consagradas, como as de Robertson & Campanella (1986).

Calibração

Calibração e sensibilidade dos sensores

Os sensores da ponteira são configurados de fábrica para faixas de pressão específicas. Um cone calibrado para pressões menores é mais preciso em leituras baixas, mas descalibra se ultrapassar a faixa para a qual foi dimensionado; um cone para pressões maiores não descalibra em solos resistentes, mas perde precisão em solos muito moles, como rejeitos.

A faixa de trabalho de cada sensor consta no certificado de calibração da ponteira, documento cuja análise é fundamental em qualquer campanha de ensaios CPTu.

Normas e bibliografia

Normas e referências

Os ensaios seguem a ISO-22.476-1 (Electrical cone and piezocone penetration tests) e a ASTM D5778 (Standard Test Method for Electronic Friction Cone and Piezocone Penetration Testing of Soils).

Para aprofundamento, recomendam-se o livro Ensaios de Campo e suas aplicações à Engenharia de Fundações, o CPT Guide do Prof. Peter Robertson, disponível gratuitamente no site do autor, o livro Cone Penetration Testing in Geotechnical Practice e a série de webinars do Prof. Robertson sobre os conceitos do ensaio.

Ficha técnica

Resumo técnico

Norma de referênciaISO-22.476-1
MétodoCravação de cone instrumentado a 2 cm/s, leituras a cada centímetro
Parâmetros medidosqc (ponta), fs (atrito lateral) e u2 (poropressão)
PonteiraCone de 10 cm² ou 15 cm², sensor u2 atrás da parte cônica
Ensaio complementarDissipação de poropressão para o coeficiente Ch
AplicaçãoPerfil estratigráfico e parâmetros em solos moles a resistentes
Em vídeo

O ensaio em campo

Ensaios CPTu com sonda multifuncional · vídeo da Damasco Penna
Ensaios CPTu com sonda multifuncional · canal da Damasco Penna no YouTube
FAQ

Perguntas frequentes sobre CPTu

Quais parâmetros o CPTu mede diretamente?

Três canais medidos diretamente: qc, a resistência de ponta; fs, a resistência ao atrito lateral na luva; e u2, a poropressão captada por um sensor posicionado imediatamente atrás da parte cônica. As posições u1 (na ponta) e u3 (atrás da luva) existem, porém são pouco usuais.

A que velocidade o cone é cravado?

O cone instrumentado é cravado a velocidade constante de 2 cm/s, por perfuratrizes hidráulicas auto-ancoradas que fornecem a reação necessária. Durante toda a penetração, o sistema registra leituras a cada centímetro, produzindo um perfil praticamente contínuo do subsolo.

Qual a área da ponteira usada no ensaio?

A ponteira é usualmente dimensionada com 10 cm² ou 15 cm² de área de ponta, medidas regulamentadas por norma. Os sensores admitem diferentes faixas de sensibilidade, mais precisão em leituras baixas ou maior alcance em solos resistentes.

Para que serve o ensaio de dissipação?

O ensaio de dissipação estaciona a ponteira em uma profundidade específica e acompanha a queda do excesso de poropressão ao longo do tempo. Aguarda-se a dissipação de 50% da sobre-pressão para calcular o coeficiente de adensamento horizontal (Ch) e apoiar a avaliação do nível hidrostático.

Informe técnico relacionado

Informe 10: correção qt no CPTu

O informe técnico sobre a correção da resistência de ponta pela poropressão (qt) e por que ela é indispensável em solos finos e saturados.

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