1. O que cada ensaio mede de fato
O SPT resume cada posição de ensaio a um índice: o N, número de golpes para cravar 30 cm do amostrador padrão. O CPTu crava um cone instrumentado a velocidade constante de 20 mm/s e mede, simultaneamente, a resistência de ponta (qc), o atrito lateral (fs) e a poropressão (u), três grandezas físicas registradas a cada 10 mm de avanço.
No SPT, o ensaio ocorre a cada 1,0 a 1,5 m; entre um ponto e outro, o subsolo é interpolado. Uma lente de areia de poucos centímetros dentro de uma argila mole, decisiva para drenagem e recalque, pode passar despercebida. O CPTu produz um perfil contínuo, cerca de 150 vezes mais denso que um ensaio SPT a cada 1,5 m: nenhuma camada de espessura relevante escapa ao registro.
2. O ensaio em campo
O vídeo do canal mostra a execução do piezocone, o mesmo ensaio tratado neste informe.
3. Comparação direta
| Aspecto | SPT | CPTu |
|---|---|---|
| Grandeza medida | Índice N (golpes por 30 cm) | qc, fs e u, três medidas independentes |
| Intervalo de leitura | 1,0 a 1,5 m | 10 mm |
| Perfil resultante | Pontual, interpolado entre ensaios | Contínuo em toda a vertical |
| Verificação | Energia do martelo varia com equipamento e operador | Leituras de referência do cone antes e depois de cada furo |
| Amostra | Recupera amostra | Não recupera amostra |
4. Consistência da medida
A energia entregue pelo martelo do SPT varia conforme equipamento e operador, daí a correção para N60, nem sempre registrada. No CPTu, a integridade do cone é verificada por leituras de referência (baseline) antes e depois de cada furo, e cada leitura recebe carimbo de tempo, o que torna a medida rastreável e repetível.
5. Amostragem e calibração da campanha
O CPTu não recupera amostra. Quando a caracterização tátil-visual ou os ensaios de laboratório forem necessários, calibra-se a campanha com um furo de sondagem próximo a uma vertical de CPTu. O ganho da combinação é reduzir a maior incógnita de qualquer obra: a variabilidade do subsolo. Concreto e aço são controlados em fábrica; o solo, só medindo bem.
Em solos coesivos, a resistência de ponta medida (qc) deve ser corrigida pelo efeito da poropressão antes de qualquer classificação; o tema é tratado na Ed. 10 desta série. O ensaio de dissipação, que estende o CPTu à medição de permeabilidade, é o tema da Ed. 12.
6. Conclusão
Os dois ensaios têm lugar na investigação. O SPT permanece referência de amostragem e de histórico regional; o CPTu adiciona perfil contínuo, três medidas independentes e repetibilidade documentada. Em projetos sensíveis a camadas finas e a condições de drenagem, a campanha combinada, com verticais de CPTu calibradas por sondagem próxima, é a configuração recomendada.
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