Informe Técnico · Ed. 05Trilha CPTu

SPT vs CPTu: o que cada ensaio enxerga

Os dois ensaios mais executados da investigação geotécnica brasileira medem coisas diferentes do mesmo terreno. Este informe compara o que o N do SPT e o piezocone registram, camada por camada, e quando cada um é a escolha certa.

InícioInformes técnicosSPT vs CPTu
SPT medeÍndice N: golpes para cravar 30 cm do amostrador, a cada 1,0 a 1,5 m
CPTu medeResistência de ponta qc, atrito lateral fs e poropressão u, a cada 10 mm
Cravação CPTuEstática, a velocidade constante de 20 mm/s
NormasNBR 6484 (SPT) · NBR 12069 · ISO-22.476-1 (CPTu)

1. O que cada ensaio mede de fato

O SPT resume cada posição de ensaio a um índice: o N, número de golpes para cravar 30 cm do amostrador padrão. O CPTu crava um cone instrumentado a velocidade constante de 20 mm/s e mede, simultaneamente, a resistência de ponta (qc), o atrito lateral (fs) e a poropressão (u), três grandezas físicas registradas a cada 10 mm de avanço.

No SPT, o ensaio ocorre a cada 1,0 a 1,5 m; entre um ponto e outro, o subsolo é interpolado. Uma lente de areia de poucos centímetros dentro de uma argila mole, decisiva para drenagem e recalque, pode passar despercebida. O CPTu produz um perfil contínuo, cerca de 150 vezes mais denso que um ensaio SPT a cada 1,5 m: nenhuma camada de espessura relevante escapa ao registro.

Equipamento de piezocone CPTu em frente de serviço da Damasco Penna
Equipamento de piezocone em frente de serviço · acervo Damasco Penna (foto ilustrativa)

2. O ensaio em campo

O vídeo do canal mostra a execução do piezocone, o mesmo ensaio tratado neste informe.

Piezocone, detalhes do ensaio · vídeo da Damasco Penna
Piezocone: detalhes do ensaio · canal da Damasco Penna no YouTube

3. Comparação direta

AspectoSPTCPTu
Grandeza medidaÍndice N (golpes por 30 cm)qc, fs e u, três medidas independentes
Intervalo de leitura1,0 a 1,5 m10 mm
Perfil resultantePontual, interpolado entre ensaiosContínuo em toda a vertical
VerificaçãoEnergia do martelo varia com equipamento e operadorLeituras de referência do cone antes e depois de cada furo
AmostraRecupera amostraNão recupera amostra

4. Consistência da medida

A energia entregue pelo martelo do SPT varia conforme equipamento e operador, daí a correção para N60, nem sempre registrada. No CPTu, a integridade do cone é verificada por leituras de referência (baseline) antes e depois de cada furo, e cada leitura recebe carimbo de tempo, o que torna a medida rastreável e repetível.

5. Amostragem e calibração da campanha

O CPTu não recupera amostra. Quando a caracterização tátil-visual ou os ensaios de laboratório forem necessários, calibra-se a campanha com um furo de sondagem próximo a uma vertical de CPTu. O ganho da combinação é reduzir a maior incógnita de qualquer obra: a variabilidade do subsolo. Concreto e aço são controlados em fábrica; o solo, só medindo bem.

Nota técnica

Em solos coesivos, a resistência de ponta medida (qc) deve ser corrigida pelo efeito da poropressão antes de qualquer classificação; o tema é tratado na Ed. 10 desta série. O ensaio de dissipação, que estende o CPTu à medição de permeabilidade, é o tema da Ed. 12.

6. Conclusão

Os dois ensaios têm lugar na investigação. O SPT permanece referência de amostragem e de histórico regional; o CPTu adiciona perfil contínuo, três medidas independentes e repetibilidade documentada. Em projetos sensíveis a camadas finas e a condições de drenagem, a campanha combinada, com verticais de CPTu calibradas por sondagem próxima, é a configuração recomendada.

NBR 6484NBR 12069ISO 22476-1
Da leitura à execução

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A Damasco Penna executa os dois ensaios há mais de 40 anos, com equipes e frota próprias, e monta a campanha combinada quando o projeto exige. Diga o contexto, montamos o plano de investigação e o orçamento.

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