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Ensaio Triaxial

Resistência e deformabilidade do solo sob tensão controlada, nas condições UU, CIU e CID, com células de até 5.000 kPa.

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O ensaio

Princípio e aplicação

O ensaio triaxial mede a resistência e a deformabilidade do solo sob tensão controlada, reproduzindo em laboratório o estado de tensões de campo. O corpo de prova, envolvido por uma membrana de látex, é levado a uma câmara onde a água aplica a tensão confinante; em seguida, um pistão aplica a tensão desviadora até a ruptura. Rompendo o corpo de prova em condições drenadas ou não drenadas, obtém-se a envoltória de resistência (coesão e ângulo de atrito); o laboratório da Damasco Penna ensaia até 5.000 kPa.

A diferença do triaxial para o cisalhamento direto está no controle. A drenagem é comandada pelo operador e a poropressão é medida durante todo o cisalhamento. Com isso, o mesmo material fornece parâmetros em tensões totais (c, φ) e em tensões efetivas (c', φ'), além da trajetória de tensões percorrida até a ruptura. É o que permite representar tanto o carregamento rápido de um aterro sobre argila mole quanto a condição de longo prazo de um talude drenado.

Três condições de drenagem cobrem a maior parte dos problemas de projeto: UU, CIU e CID. A escolha não é do laboratório, é do projeto, e depende da velocidade do carregamento em relação à capacidade do solo de dissipar poropressão. O que cada condição fornece está resumido em Norma, parâmetros e entregável.

Além da resistência, o ensaio fornece a rigidez do material: módulos de deformabilidade em diferentes níveis de tensão e o comportamento volumétrico, contrátil ou dilatante. Em rejeitos e solos fofos saturados, esse comportamento é o dado central na avaliação de suscetibilidade à liquefação. O ensaio em altas tensões, até 5.000 kPa, representa condições que a faixa convencional não alcança, como as tensões no interior de barragens altas, em pilhas de estéril e sob fundações profundas.

Aplicações típicas: barragens, taludes, fundações profundas, aterros e mineração.

Animação

O ensaio em movimento

Animação interativa da célula triaxial nas três condições de drenagem: UU, CIU e CID. Cada método mostra suas fases (saturação, adensamento e cisalhamento) com o corpo de prova deformando e o dreno abrindo ou fechando conforme o caso.

Interativa · escolha UU, CIU ou CID Animação do ensaio triaxial UU, CIU e CID
Execução

O ensaio em etapas

1

Moldagem do corpo de prova

A amostra indeformada, extraída em tubo Shelby, amostrador Denison ou bloco, é talhada na relação altura/diâmetro de 2:1 e montada sobre a base da câmara, entre pedras porosas e papel-filtro, envolvida pela membrana. Material compactado é moldado na umidade e na densidade definidas em projeto.

2

Saturação por contrapressão

Água e contrapressão são aplicadas em estágios para dissolver o ar remanescente nos vazios. A saturação é verificada pelo parâmetro B de Skempton e o ensaio só avança quando o valor atinge o patamar exigido pela norma.

3

Adensamento

Sob a tensão efetiva definida em projeto, o corpo de prova adensa de forma isotrópica ou anisotrópica, com registro da variação de volume ao longo do tempo. Essa fase fixa a tensão de referência do resultado e, em argilas, pode levar dias.

4

Cisalhamento

O pistão aplica a tensão desviadora em velocidade compatível com a condição de drenagem: no CIU, lenta o suficiente para equalizar a poropressão medida na base; no CID, lenta o suficiente para não gerar excesso de poropressão. Registram-se carga, deformação axial, variação de volume e poropressão.

5

Interpretação

Com as correções de área e de membrana previstas em norma, montam-se as curvas tensão-deformação, as trajetórias de tensões e os círculos de Mohr. Da envoltória saem a coesão e o ângulo de atrito, em tensões totais e efetivas.

Célula triaxial montada na prensa, com painel de pressões e console de aquisição no laboratório da Damasco Penna
Célula triaxial montada na prensa, com as linhas de base, contrapressão e câmara ligadas ao painel de pressões.

Controles de qualidade: prensas e transdutores calibrados e rastreáveis, verificação da saturação pelo parâmetro B, controle do adensamento por variação de volume, velocidade de cisalhamento definida em função da condição de drenagem, registro digital contínuo de carga, deformação e poropressão, correções de área e de membrana conforme norma e interpretação e relatório por engenheiro.

Norma, parâmetros e entregável

Conforme ASTM D2850, D4767 e D7181

Cada condição de drenagem tem norma própria e responde a uma pergunta diferente de projeto.

UU · ASTM D2850Não adensado e não drenado. Fornece a resistência não drenada (Su) em tensões totais, para carregamento rápido sobre solo coesivo saturado: aterros sobre argila mole, cortes provisórios e estabilidade de curto prazo.
CIU · ASTM D4767Adensado isotropicamente e não drenado, com medida de poropressão. Fornece parâmetros efetivos (c', φ') e a trajetória de tensões, com um único estágio de adensamento por corpo de prova. É a condição mais pedida em barragens e em rejeitos.
CID · ASTM D7181Adensado e drenado. Fornece parâmetros efetivos com medida direta da variação de volume, para a condição de longo prazo: taludes drenados, areias e solos permeáveis.
ISO 17892-9Referência internacional para os ensaios triaxiais adensados em solos saturados, incluindo adensamento anisotrópico (CAU e CAD).

O que sai do ensaio, em qualquer das condições:

ResistênciaCoesão (c) e ângulo de atrito (φ), em tensões totais e efetivas
Trajetória de tensõesCaminho percorrido até a ruptura, drenado ou não drenado
PoropressãoMedida durante o cisalhamento (CIU) e verificada na saturação (parâmetro B)
DeformabilidadeCurvas tensão-deformação, módulos e comportamento volumétrico
Alta tensãoEnsaios até 5.000 kPa
Relatório do ensaioCurvas, círculos de Mohr, envoltória e condições de ensaio
Prazo típicoConforme número de corpos de prova e permeabilidade do solo

Executado com o mesmo padrão de QA/QC, SST e canteiro de todos os serviços da Damasco Penna, descrito em Qualidade e operação em campo.

FAQ

Perguntas frequentes sobre Ensaio Triaxial

Para que serve o ensaio triaxial?

O ensaio triaxial mede a resistência e a deformabilidade do solo sob tensão controlada, reproduzindo em laboratório o estado de tensões de campo. Rompendo o corpo de prova em condições drenadas ou não drenadas, obtém-se a envoltória de resistência (coesão e ângulo de atrito); o laboratório da Damasco Penna ensaia até 5.000 kPa.

Qual a diferença entre CIU, CID e UU?

São condições de drenagem: UU (não adensado, não drenado), CIU (adensado isotropicamente, não drenado, com medida de poropressão) e CID (adensado, drenado). A escolha depende da situação de projeto que se quer representar: carregamento rápido sobre solo saturado pede UU ou CIU; condição de longo prazo, com poropressão dissipada, pede CID.

Quantos corpos de prova são necessários?

A envoltória de resistência é definida por, no mínimo, três corpos de prova ensaiados sob tensões confinantes diferentes, escolhidas em torno das tensões de projeto. Um único corpo de prova fornece um ponto, não uma envoltória.

Que tipo de amostra o ensaio exige?

Para solo natural, amostra indeformada, extraída em tubo Shelby, amostrador Denison ou bloco, transportada e armazenada sem perda de umidade e sem perturbação. Para material compactado, como aterros, barragens e pilhas, o corpo de prova é moldado em laboratório na umidade e na densidade definidas em projeto.

Quanto tempo leva um ensaio triaxial?

É um ensaio longo. A saturação e o adensamento consomem a maior parte do prazo e dependem da permeabilidade do solo: em areias, horas; em argilas moles e rejeitos finos, dias por corpo de prova. O prazo é fechado por série, em função do número de corpos de prova e das tensões pedidas.

Triaxial ou cisalhamento direto?

O cisalhamento direto é mais rápido e mais barato, mas impõe o plano de ruptura e não permite medir poropressão nem controlar a drenagem com o mesmo rigor. Quando o projeto exige parâmetros efetivos, trajetória de tensões ou a análise de solo saturado sob carregamento rápido, o ensaio indicado é o triaxial.

O que é o parâmetro B e por que ele importa?

É a razão entre o acréscimo de poropressão e o acréscimo de tensão confinante aplicado com a drenagem fechada, e mede o grau de saturação do corpo de prova. Se a amostra não está saturada, a poropressão medida no cisalhamento não representa a condição de campo e os parâmetros efetivos saem errados.

O ensaio serve para rejeitos de mineração?

Sim. Em rejeitos e solos fofos saturados, o interesse está no comportamento volumétrico e na resistência não drenada de pico e residual, usados na avaliação de suscetibilidade à liquefação. Esses ensaios exigem controle fino da saturação e da velocidade de cisalhamento.

Por que ensaiar até 5.000 kPa?

Barragens altas e fundações profundas impõem tensões elevadas. O laboratório da Damasco ensaia nesse patamar para representar essas condições reais.

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