Informe Técnico · Ed. 05Trilha Equipamentos

CPTu com sonda multifuncional em pilhas de rejeito

A investigação geotécnica é dinâmica por natureza: em campo, é frequente ajustar a campanha conforme o solo encontrado, mudando o tipo de perfuração ou de cravação. É por isso que operamos sondas multifuncionais há alguns anos. Este informe mostra o que o equipamento resolve num dos cenários mais exigentes das campanhas recentes: o ensaio CPTu em pilhas de rejeito e estéreis.

InícioInformes técnicosCPTu com sonda multifuncional
AplicaçãoSondagens em pilhas de rejeito e estéreis
DesafioBlocos soltos alternados com camadas moles; horizontes impenetráveis ao piezocone
SoluçãoUma única sonda ensaia, desobstrui e coleta no mesmo furo
GanhoMenos pessoas expostas na praça de trabalho e menor custo

1. O desafio das pilhas de rejeito e estéreis

Um desafio recorrente nas campanhas recentes são as sondagens em pilhas de rejeito e estéreis. O material é heterogêneo: muitos blocos soltos, alternados com camadas moles. Nesse cenário, o ensaio CPTu é exigente, porque o piezocone precisa vencer camadas impenetráveis para prosseguir em profundidade.

Sonda multifuncional em operação em pilha de rejeito
Sonda multifuncional em operação em pilha de rejeito

2. De duas sondas para uma

Até então, o cliente resolvia esse cenário com duas sondas: um penetrômetro para o CPTu e uma sonda rotativa para a desobstrução das camadas impenetráveis. O arranjo colocava mais pessoas na praça de trabalho, mais expostas, e representava mais custo.

Com a sonda multifuncional, a desobstrução passa a ser feita pela própria sonda, que também realiza coletas nessas camadas. O ensaio, a desobstrução e a amostragem ficam concentrados em um único equipamento e em um único furo.

Equipe operando a sonda multifuncional
Ensaio, desobstrução e coleta concentrados em um único equipamento e um único furo

3. Estratigrafia completa do furo

Há um ganho adicional: o solo ensaiado por CPTu é barriletado, ou seja, o avanço nas camadas é acompanhado de coleta com barrilete. Além do perfil contínuo do piezocone, obtém-se amostragem ao longo de todo o furo, resultando em estratigrafia completa da vertical.

4. O cuidado com a ponteira

A operação exige atenção. Alternar entre desobstrução e cravação do piezocone no mesmo furo demanda um operador atento e experiente, para não danificar a ponteira do cone na transição entre as camadas. É esse cuidado que preserva a qualidade do ensaio ao longo de toda a vertical.

Saturação do piezocone sob vácuo
Saturação do piezocone sob vácuo antes da cravação
Unidade de aquisição de dados em campo
Aquisição dos dados do ensaio em campo

5. Resultado: CPTu com drill out

As faixas DRILL OUT do perfil marcam os trechos em que o cone encontrou camadas impenetráveis e a própria sonda desobstruiu por rotativa, retomando a cravação logo adiante. O registro contínuo de resistência de ponta, atrito lateral e poropressão é preservado ao longo de toda a vertical.

Perfil CPTu com faixas de drill out
Perfil CPTu com trechos de drill out · resultado de ensaio · dados anonimizados
Resistência de pontaqc até cerca de 35 MPa nas camadas competentes atravessadas
Atrito lateralfs descreve o comportamento do solo camada a camada
Poropressãou com dissipações pontuais nas profundidades de interesse

6. Conclusão

Uma sonda cravou o CPTu, desobstruiu as camadas impenetráveis e coletou amostras ao longo de todo o furo: estratigrafia completa da vertical, com menos pessoas expostas na praça de trabalho e menor custo, sem abrir mão da qualidade do ensaio.